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Ônibus 174 - Tragédia da Realidade Brasileira

Há dias que queria assistir ao documentário "Onibus 174" do cineasta José Padilha, o mesmo diretor do filme Tropa de Elite. Como a distribuição deste documentário foi quase inexistente, tendo sido exibido em pouquissimas salas de cinema, resolvi procura-lo, como não podia deixar de ser pela net.

O documentário produzido em 2002 é muito bom, forte, mas não cheguei a ficar escandalizado ou chocado porque o que ocorreu ali é o retrato nu e cru das mais elementares questões sociais no nosso país.

Bom, não ficarei aqui discorrendo blá, blá, blá, parecido com os sociologos que ficam divangando merdas sobre o caso, sem nunca ter presenciado de frente tudo isso. Por esse motivo, transcrevo uma informação trazida pela Agência Reuters e reproduzido pela Folha de São Paulo, na época que o documentário foi lançado, e traz um fiel relato do que se passa nesse documentário que não fica devendo nada para aqueles produzidos por Michael Moore.

Fonte: Folha de São Paulo – 04.10.2002

 

Documentário "Ônibus 174" choca Rio BR ao relembrar tragédia

 

da Reuters, no Rio de Janeiro

É bem provável que o Festival Rio BR 2002 não mostrará qualquer outro filme de terror mais apavorante que "Ônibus 174", documentário de José Padilha exibido hoje.

Não há roteirista, por mais delirante que seja, capaz de imaginar uma história tão absurda, cruel, dolorosa e tragicamente humana. Mais uma vez a realidade superou de longe a ficção.

E é com uma sensação de lâmina cravada no peito que se assiste a esse filme, que reconstrói a trajetória de Sandro do Nascimento, que sequestrou o ônibus 174 em 12 de junho de 2000, paralisando o Rio de Janeiro.

Um drama que manteve o Brasil todo de respiração suspensa por várias horas, com a TV transmitindo tudo ao vivo, e que culminou com a morte de uma das reféns, Geisa Gonçalves -com tiros disparados por Sandro e pela polícia. O sequestrador também morreu sufocado na viatura policial depois de rendido.

Mais do que um filme, "Ônibus 174" é um verdadeiro manual de funcionamento da questão social brasileira, em que emerge o perfil de Sandro do Nascimento -um sobrevivente da chacina dos meninos da Igreja da Candelária, também no Rio, em 1993.

Foram utilizadas imagens garimpadas em cinco horas de filmagens ao vivo por emissoras de televisão, entrevistas com familiares, amigos e parentes de Sandro, de algumas das reféns, e do viúvo da vítima, bem como de policiais que participaram da operação (um deles incógnito, de máscara, porque o batalhão a que pertence proibiu as entrevistas de seus agentes).

Desse minucioso trabalho de reportagem, surgem também detalhes desconhecidos, como o fato de que o sequestrador não era um menor abandonado. Sua mãe, Clarice, era uma pequena comerciante de São Gonçalo, assassinada diante dos olhos do menino Sandro, que tinha 9 anos de idade.

Uma cena que o traumatizou e esteve por trás de sua atitude de abandonar a família, tempos depois. A partir daí, Sandro ganhou as ruas e nunca mais encontrou um eixo. Caiu no crime, em instituições de menores, passou pela cadeia, fugiu, tentou, desistiu e finalmente abraçou o caminho da violência.

Uma qualidade do diretor é nunca psicologizar demais o relato, inserindo também aspectos como as deficiências técnicas dos policiais que participavam da negociação com o sequestrador e a interferência de autoridades que não estavam no local.

Um dos depoimentos mais impressionantes é de um "assaltante profissional" -cujo rosto é escondido por uma máscara- e que é um clone assustador do que o próprio Sandro parece ter se tornado nos últimos tempos de sua vida.

Esse assaltante, que conheceu Sandro, fala friamente do episódio do sequestro, analisando-o de seu ponto de vista de bandido assumido -dizendo que o sequestrador morto errou ao não ter, por exemplo, comprado uma granada, "que na favela é barato."

Mais arrepiante é seu comentário, também sem trair nenhuma culpa, de que, quando o assaltado não tem dinheiro, ele joga álcool e queima a vítima.

Que tipo de sociedade está gerando esses monstros? O medo que os cidadãos comuns sentem deles precisa ser enfrentado com informação genuína sobre seu processo de formação -coisa que este filme fornece com fartura e é o ponto de partida para uma reflexão sobre como evitar que tudo isso se repita.

 

 



Escrito por Sanderson às 23h03
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A Verdadeira História de Papillon

Veja a seguir essa reportagem publicada há tempos atrás por uma revista conhecida, que considero uma história sensacional:

Fonte: Revista ISTO É – 17.08.2005

 

Ele se tornou famoso mundialmente em 1969, ao publicar o livro Papillon, no qual contava a sua fuga espetacular, ocorrida em 1935, da Ilha do Diabo, o sinistro complexo de presídios que a França mantinha na Guiana Francesa.

 

O sucesso foi ainda maior quando a história do prisioneiro Henri Charrière, o Papillon, chegou às telas dos cinemas em 1971 em uma superprodução de Hollywood, com Steve McQueen no papel principal.

 

Mas Charrière, um homem de poucos estudos, era uma gigantesca farsa. O verdadeiro autor de Papillon foi outro fugitivo, René Belbenoît, um intelectual que falava quatro línguas e liderou um grupo de presos (entre eles Charrière), façanha relatada em seu livro A Ilha do Diabo (Dry guillotine no original, Prêmio Pullitzer de 1938). O sucesso do livro na época fez com que a França terminasse por desativar o presídio por onde passaram (e morreram, em boa parte) milhares de prisioneiros.

 

Depois de fugir para a então Guiana Inglesa, René Belbenoît, o verdadeiro Papillon, radicou-se com seus parceiros em Roraima desde 1940, morrendo em 1978, aos 73 anos, e sendo sepultado na Vila Surumú, no norte do Estado, hoje parte da Terra Indígena São Marcos.

 

Esse aparente fim obscuro de Belbenoît concluiu uma trajetória de vida cheia de intrigas, 13 anos de desterro (1922-1935) na Ilha do Diabo por assalto, livros de sucesso, identidades falsas, um assalto milionário e muitos negócios com garimpos de ouro, diamantes e metais preciosos. Além, é claro, da história de como os manuscritos dos livros Papillon e Banco, escritos por René Belbenoît na Vila Surumú, acabaram nas mãos de Charrière. Os dois primeiros livros de Belbenoît , Hell on trial e Dry guillotine, foram publicados nos EUA graças à amizade que ele construiu durante anos de correspondência, ainda na prisão, com a escritora americana Blair Niles. Os dois acertaram ainda que um dos fugitivos, de nome desconhecido, deveria seguir para os EUA e assumir a identidade de René Belbenoît, como medida de segurança para o grupo que ficou na América do Sul.

 

Esse falso René, que morreu em 1959 na Califórnia e teve o corpo cremado, acabou sendo vital para que a verdadeira identidade de Papillon fosse comprovada este ano no Brasil.

 

Foi comparando fotos dos dois com a identidade de Belbenoît, tirada em 1973, que os peritos da Polícia Federal Paulo Quintiliano e Marcelo Ruback, depois de seis meses de trabalho em computador, chegaram à conclusão de que o verdadeiro René, o Papillon (apelido que ganhou na prisão ainda na década de 1920), é o que morreu e está enterrado no Brasil. “Usamos um programa de computador que desenvolvi em minha tese de doutorado e que permite a identificação precisa de pessoas através de imagens faciais”, diz o perito Paulo Quintiliano. “Isso mostra que eu tinha razão ao garantir que Papillon tinha vivido décadas e morrido em Roraima”, comemora o fotógrafo e escritor Platão Arantes, autor de dois livros sobre o caso.

 

Medo dos alemães – René e seus parceiros, que estavam sendo bem-sucedidos no garimpo de diamantes e de ouro na Guiana Inglesa, decidiram vir para o Brasil em 1940, depois que as tropas de Hitler invadiram a França, deixando o Reino Unido na mira dos nazistas.

 

Preocupado com o domínio alemão, ele convenceu os outros a fugir para o Brasil. O grupo subiu de barco o rio Demerara e depois fez uma caminhada de 23 dias pela mata e pela savana, até chegar às margens do rio Maú. “Eu estava na frente de nossa casa, uma fazenda à beira do rio, quando ouvimos os chamados de um grupo de homens no outro lado. A fazenda de papai era o ponto de passagem no rio Maú e meu pai me mandou pegar a canoa e trazer o pessoal”, conta Rui Meneses, o seu Bebé, 77 anos. Na época, ele tinha 12 anos e ficou admirado com o chefe do grupo, que falava perfeitamente o português, apesar do forte sotaque. Além de René, integravam o grupo Maurice Habert, Joseph Guillermin Marcel, Charrière e Roger.

 

Em uma região que era um enorme e desértico município do Amazonas, os fugitivos sentiram-se seguros. Maurice casou-se com uma nativa, teve três filhos e implantou o cultivo do tomate na região. Sua influência foi tão grande que conseguiu que a Vila do Maú se tornasse a Vila Normandia, em homenagem à sua região natal na França.

 

Belbenoît, que tinha recebido um bom dinheiro, fruto do sucesso de seus livros nos EUA, investiu no garimpo de diamantes e ouro, além de colaborar com os americanos, interessados na pesquisa mineral da região. Mas não ficou apenas nos negócios. Fiel ao seu passado bandido, em 1942 René comandou o bem-sucedido assalto à filial da empresa JG Araújo, em Boavista. A empresa era um entreposto que fornecia víveres e todo tipo de equipamento para a região que é hoje o Estado de Roraima, e ainda negociava com ouro, diamantes e servia como um banco informal. Platão Arantes ouviu testemunhas que suspeitam de conluio entre os donos da empresa, os devedores e até as autoridades da época. O assalto serviu de tema, anos depois, para o livro Banco, de Belbenoît, que também lhe foi roubado por Charrière.

 

Ascensão e queda – Quando Roraima virou território em 1943, as investigações, que eram comandadas de Manaus, foram encerradas. “Conheci o René em 1943 e fui seu sócio durante mais de dez anos em garimpos no rio Maú e em outros lugares da região. Só em 1961 tive certeza de que ele tinha sido o chefe do assalto”, conta Alfredo Ferreira Nunes, o professor Parazinho, 84 anos. Ele garante que o amigo era muito inteligente e ganhou muito dinheiro. “Quando não estava escrevendo, o René estava fazendo bons negócios. Ganhou muito dinheiro, mas, no fim da vida, perdeu tudo de maneira muito estranha. Mas quem se aproveitou dele ficou sem nada. Até as terras passaram para os índios”, comenta Parazinho. Ele não tem dúvida de que Charrière traiu seu amigo. “Ele fez sacanagem, colocando seu nome nos escritos do René. Todas as histórias do livro e do filme são do René. Ele me contava”, garante.

 

Maria do Socorro da Cunha Camilo, 58 anos, também se lembra bastante de René. Ela conheceu o verdadeiro Papillon quando pequena, no Surumú, onde seu pai tinha uma fazenda. René, que tinha um armazém e bar que abastecia a região, gostava de contar histórias para crianças e adultos, lembrando de suas aventuras. Maria do Socorro só percebeu a dimensão das histórias em 1981, quando o filme Papillon estava sendo exibido na tevê. “Eu não estava prestando muita atenção até que vi a cena do teste com a jangada de cocos. Virei para meu filho menor e disse: ‘Essa é a história do padrinho da Ana, sua irmã.’ Ele perguntou como eu sabia e respondi que durante anos, desde garota, ouvi o velho René contar como ele e uns companheiros fugiram da Ilha do Diabo”, recorda.

 

Os destinos de René Belbenoît e Henri Charrière, que haviam se separado em 1943, quando o falso Papillon foi para a Venezuela, voltaram a se cruzar em 1955. René tinha recebido um pedido de um diretor de cinema americano, amigo do casal Niles, para que transformasse o livro Dry guillotine em uma espécie de roteiro para o cinema. Mas que contasse a fuga de apenas um prisioneiro.

 

René escreveu um calhamaço e considerou que a forma mais fácil de mandar o material para os EUA era via Venezuela. E contatou Charrière, que trabalhava no porto. O falso Papillon guardou os manuscritos, que estavam em inglês, durante anos. Quando soube da morte do falso René nos EUA, contratou um jornalista francês que morava na Venezuela e lhe devia dinheiro para fazer uma adaptação em francês, acrescentando mais um fugitivo. E, em 1969, depois de ter mandado tatuar no peito uma borboleta, lançou como seu o livro Papillon.

 

Em 1971, Charrière mandou emissários à Vila Surumú para pegar os originais do livro Banco. René estava quase cego, com catarata e uma doença no nariz – há dúvidas se era câncer ou leishmaniose – e cedeu às pressões.

 

As divergências entre os dois livros ajudaram a expor Charrière como um farsante. Ele gastou praticamente todo o dinheiro ganho com o livro e o filme Papillon na produção de outro filme que foi um fracasso total. E morreu pobre, destruído pela bebida, em 1973.

 

Em Roraima, já existe um movimento para transformar a Vila Surumú em um museu vivo do verdadeiro Papillon. E trocar a cruz branca sem identificação por uma tumba à altura do novo ídolo do Estado.

 



Escrito por Sanderson às 13h01
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Diários de Motocicleta

Falando em cultura andina, me recordo do filme DIARIOS DE MOTOCICLETA, que conta a história de Alberto Granado e Ernesto Guevara de La Serna, que mais tarde viria a ser o famoso "Che Guevara".

A película trata de um período anterior a fase revolucionária de "Che", quando em Janeiro de 1952, ele um estudante de Medicina em Buenos Aires e seu companheiro Alberto Granado, um estudante de Bioquimica de Córdoba, decidem percorrer parte da América do Sul a bordo de uma moto Norton 500, do ano de 1939, chamada de "La Poderosa", viagem que viam planejando há mais de 10 anos, segundo eles para "conhecer pessoalmente lugares que só conheciam pelos livros".

O filme dirigido por Walter Salles, o mesmo de Central do Brasil, aborda a história somente tendo por base o diário escrito por "Che", durante a viagem, mas o interessante da história é a mudança no caráter experimentada por Ernesto e Alberto, quando ainda no Chile, deparam-se com um casal de indigenas que foram expulsos de suas terras "simplesmente por sua condição de índios" porque segundo o relato deles "o branco não pode conceber o fato de indios possuirem terra para plantar e colher", e agora tentavam trabalho na minas do Deserto do Atacama. Mais a frente em Cuzco e Macchu Picchu eles descobrem os males e a descaracterização que a colonização espanhola causou a população indigena majoritária.

Entretanto o apice da história ocorre quando chegam em San Pablo, uma colônia de leprosos no meio da selva na Amazônia Peruana, oportunidade que presenciam a mais terrível demonstração de exclusão, posto que eram colocados numa ilha no meio do Rio Amazonas, visando evitar o contato dos leprosos com pessoas sadias. Ernesto e Alberto, tentam demonstrar que isso é inadequado para o tratamento, reforçando que o contágio da lepra não se dá pelo contato pessoal.

Alberto conta em seu livro "Andando pela América com Che", que a despedida da colônia alguns dias após foi o momento mais emocionante de sua vida de 81 anos, quando diz "Eles chegaram em um barco onde os doentes estavam separados dos sadios. Era um dia chuvoso, nunca vou me esquecer. Os pacientes chegaram tocando música, dando adeus e nos dizendo que os havíamos tratado como gente normal e que eles jamais esqueceriam disso. Ficamos tão emocionados com aquilo, que mal conseguíamos falar." Tal cena é retratada com a maior fidelidade possível e realmente é muito emocionante.

A viagem deles termina 07 meses depois em Caracas na Venezuela, onde Alberto Granado haviam conseguido uma vaga para um período de residência num hospital Universitário. Ernesto voltou para Buenos Aires, para concluir seu curso de Medicina, no entanto, a vida dos dois já havia mudado por completo.

Dois anos depois, Ernesto vai para o México participar de treinamento revolucionário e se tornará conhecido como "Che Guevara", que juntamente com Fidel Castro, se torna um dos líderes da Revolução Cubana que em 1959 destituiu do poder o ditador cubano Fulgêncio Batista.

Aproximadante 03 anos depois, o comandante Che Guevara leva seu grande amigo Alberto Granado para Cuba para implementar ações na área de saúde, tendo sido bem sucedido em sua empreitada. Alberto está atualmente com 85 anos e vive até hoje em Havana, quando lembra deu seu amigo Ernesto, sempre chora de saudades.

O filme retrata com fidelidade a transformação experimentada, principalmente por Ernesto, que viu de perto a exploração do índio pelo branco, semelhante aquela que lhes contei no post anterior, do choque de duas culturas. Isto moldou o caráter de Ernesto, para combater como Revolucionário pela América Latina as injustiças cometidas, onde prevalece a "Lei do mais forte", semelhante ao Pixote.

Vale a pena assistir. Recomendo.



Escrito por Sanderson às 18h29
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El Condor Pasa

O continente americano é um riquíssimo repositório da história da civilização, mormente pelo fato de por aqui terem passado as civilizações incas, maias e aztecas. A cultura andina, apesar de estar desaparecendo é uma herança deixada por essas civilizações. Por isso, quando você estiver no centro da cidade e ver aqueles peruanos ou bolivianos tocando aquelas musicas com flauta panamericana, não critique, porque além deles estarem mantendo viva sua cultura e homenageando seus ancestrais, estão ganhando um dinheirinho honestamente, mostrando sua arte.

Abaixo falo um pouco da cultura andina, através do El Condor Pasa, que eu achava que era apenas uma canção, mas se trata de uma bela peça teatral.

El Cóndor Pasa é uma obra teatral musical, classificada tradicionalmente como zarzuela, à qual pertence a famosa melodia homônima. A música foi composta pelo compositor peruano Daniel Alomía Robles e a letra, por Julio de La Paz, (pseudônimo de Julio Baudouin). No Peru, foi declarada Patrimônio cultural da Nação, em 1993. A história transcorre no assentamento mineiro Yapaq de Cerro de Pasco, Peru e constitui-se uma obra de denúncia social. É a tragédia do enfrentamento de duas culturas: a anglo-saxônica e a indígena. A exploração de Mr. King, dono da mina, tem sua culminação na vingança de Higínio, que o assassina. Mas, para substituí-lo, chega Mr. Cup. E a luta tem que ser reiniciada, e o condor que voa nas alturas é o símbolo da desejada liberdade.



Escrito por Sanderson às 13h01
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Mossad em Terras Brasileiras

Ah tá, até parece. O Mossad pedindo bexiga para um governo estrangeiro. Isso não é muito do feitio de um serviço secreto que invade o território alheio e sequestra inimigos. Caso semelhante ocorreu com Adolf Eichmann, Oficial do Terceiro Heich que em 1962 foi sequestrado na Argentina e levado a julgamento num tribunal de exceção em Israel, terminou enforcado. Alguma coisa estranha existe aí que ainda não sei o que é, mas que tem, ah isso tem. De qualquer forma abaixo vai a noticia publicada na edição da Folha de São Paulo de 28 de janeiro de 2008:

Governo israelense busca o nazista "Dr. Morte" no Brasil

Agentes policiais e de inteligência brasileiros foram acionados para apurar suspeita

Mais uma vez pistas levam a crer que Aribert Heim, desaparecido em 1962, poderia viver ou ter vivido no Brasil ou no Uruguai


O governo brasileiro foi procurado por autoridades israelenses em dezembro para auxiliar nas buscas de Aribert Heim -nazista desaparecido em 1962. Ele é conhecido como "Dr. Morte", por experiências e atrocidades cometidas em campos de concentração na Segunda Guerra Mundial.
Se vivo, Heim teria 94 anos.
A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) e o Departamento de Inteligência da PF foram acionados. Os ministérios da Justiça e das Relações Exteriores acompanham o caso.
Há dois anos uma outra pista levantou dúvidas se Heim vivia no Brasil. A Folha apurou que, agora, haveria pistas sobre a sua possível localização. Segundo o Centro Simon Wiesenthal, ONG israelense que combate o nazismo, Heim poderia viver aqui ou no Uruguai.
De posse dessas pistas, o centro pediu o auxílio do governo brasileiro. Em dezembro, a embaixada israelense facilitou o contato da fundação com representantes do governo.
A equipe israelense indagou se a legislação brasileira permitia a ação de agentes de inteligência de outros países em território nacional. Ouviu de autoridades federais brasileiras que a hipótese era vedada em lei e que a Abin tinha um setor específico para evitar isso.
O Mossad, serviço de inteligência israelense, já possui um canal de troca de informações com a Abin. As instituições compartilham dados sobre a atuação de grupos e pessoas na fronteira de Brasil, Paraguai e Argentina, em Foz do Iguaçu.
O modelo serviu de base para a apuração sobre o paradeiro de Heim: arapongas brasileiros perseguiriam a pista e repassariam eventuais resultados à Embaixada de Israel.
As apurações da PF e da Abin correm sob sigilo. Procurados na sexta-feira, os órgãos não confirmaram nem mesmo a existência das investigações.
O governo brasileiro mostrou-se cético sobre a chance de localizar Heim, dada a idade avançada que teria. Mas acionou agentes policiais e de inteligência para apurar a suspeita.
A Folha apurou que as pistas fornecidas pelos israelenses não têm se confirmado, mas as investigações ainda estão em curso. A nova pista não é divulgada. Segundo uma autoridade próxima às investigações, a dica seria superficial.



Escrito por Sanderson às 17h49
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Uma Vida Nova

O que acho fascinante na literatura e no cinema é que as vezes eles produzem verdadeiros achados.

Uma escritora da Flórida chamada Sabina Murray, que tem como especialidade escrever sobre " Passivos da Guerra" ou em outras palavras, as marcas deixadas pelas guerras infâmes, conheceu uma história de um soldado americano que teve um filho com uma vietnamita, e interessada foi ao Texas e ao Vietnã para levantar maiores dados. O levantamento dessas informações, culminou com a publicação de um livro chamado no original "The Beautiful Country", que conta essa emocionante história, a qual inclusive foi adaptada como roteiro para o cinema, tendo como título em português "Uma Vida Nova", lançado no Brasil exclusivamente em DVD.

Basicamente trata da história de um rapaz que nasceu da união de um soldado americano que combatia na Guerra do Vietnã com uma vietnamita. Segundo relata a história, após a mãe do garoto anunciar ao pai que estava grávida, este propôs casar-se com ela e ao final da guerra leva-la juntamente com o filho para viverem na américa.

E assim o fizeram. Formalizaram o casamento junto ao órgão diplomático americano disponível. No entanto, uma fatalidade dá uma reviravolta na história.

Numa patrulha realizada num depósito em Saigon, uma mina explode atingindo o soldado o qual fica por dias inconsciente, vindo a acordar dias depois já num hospital do exército américano em Maryland nos EUA.

Para sua esposa vietnamita ele desapareceu sem deixar pistas, já que não conseguia informações junto às tropas americanas no vietnã.

Dessa forma, a mulher tenta a duras penas sobreviver num país devastado pela guerra, tendo que criar um filho havido de uma relação com um soldado americano. Nesse ponto está a parte sensacional da história.

A cultura oriental é extremamente excludente, e finda a Guerra do Vietnã, constatou-se a existência de vários filhos de soldados americanos. Para essas crianças deram o nome de "Bui Doi", que literalmente significa "Menos que o pó". Tais crianças eram discriminadas por sua condição, não podiam brincar nem conviver com outras pessoas ou crianças, pois lhe diziam que viam em seu rosto a "Face do Inimigo", e eram tratados como escravos, trabalhando duramente e comendo os restos junto com os animais.

Assim aconteceu com Bihn, que foi criado pela família de sua avó materna, sendo seu sonho abrir uma loja de sapatos (sendo que com 18 anos nunca teve um) de tanto observar os pés das pessoas ao sempre olhar para baixo em sinal de submissão. Enquanto as pessoas normais reconhecem os outros olhando nos olhos, Binh aprende a fazer isso pelos pés.

De tanto contemplar uma foto onde aparece um soldado americano e uma mulher segurando uma criança ao colo em frente a uma barbearia, decide ir a Saigon atrás de sua mãe biológica. Ao encontra-la, descobre que ela trabalha numa casa de um milionário e a mesma tenta com sua patroa que a trata com extrema agressividade um emprego para Bihn.

Entretanto um acidente ocorrido na residência faz a mãe de Bihn determinar que ele fuja e tente ir para os EUA achar o pai dele. Lhe entrega a certidão de casamento que consta a residência de seu pai em Houston no Texas, certa quantia em dinheiro para custear sua viagem e pede que leve seu irmão (Tam) de 10 anos, havido de outra relação, para que possa ter uma vida melhor nos EUA.

A partir daí, Bihn vive uma verdadeira odisséia, desde ficar preso num campo de refugiados nas Filipinas, até viajar como animal num navio que leva imigrantes ilegais para os EUA, tendo como parte do pagamento da viagem, trabalhar como escravos para os "agenciadores" em Boston e Nova York.

Trabalhando no bairro chinês de Chinatown, ele certo dia descobre que poderia ter vindo facilmente para a América com um avião cargueiro, pois os filhos de soldados americanos no vietnã, têm todos os direitos de um cidadão americano, inclusive denunciar a máfia de agenciadores de trabalho escravo de ilegais ao FBI. Ele então decide partir para o Texas, atrás de seu pai biológico, e logicamente a partir daí, recomendo que assistam o filme pois seu final é emocionante.

Apesar da trágica história, a película é capaz de extrair o que há de belo em tudo isso, especialmente por meio das imagens. O protagonista Bihn passa por uma série de lugares e situações que só provam que ele não pertence a nenhum deles. Não por ele ser feio, como todos teimam em dizer, ou mesmo desajeitado, mas por ser sensível demais perante tanta barbárie em sua volta. E a beleza chega no final de uma forma simples, como é Uma Vida Nova: simples, trágico e belo.



Escrito por Sanderson às 15h37
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007 - James Bond

Que James Bond é um canastrão no melhor estilo McGyver (Profissão: Perigo), todo mundo sabe. Que os roteiros da trilogia são previsiveis e água com açucar, também todo mundo tá cansado de saber, mas o que faz a série ser cultuadas por alguns, ao ponto de criarem fã-clubes, inclusive aqui no Brasil?.

Falo por mim, pois, em que pese todas as características acima citadas, já assisti diversas vezes praticamente toda a coleção dos 21 filmes da série, e em nenhum momento achei interessante qualquer uma das história, porém, o que me agrada na série são as Bond-Girls, a Trilha Sonora e os automóveis, desde o aston martin, passando pelo Lotus e por último os BMW, com equipamentos fantásticos de agente secreto, inventados pelo engenhoso "Q".

Esses três elementos, são o que mantem há décadas a série, que salvo raras exceções foram fantásticas e esperadas ansiosamente por muitos.

Com relação às Bond-Girls, já exerceram o papel beldades que no seu tempo foram sexy-simbol, destaque para Ursula Andress (Dr. No) e Barbara Bach (O Espião que me amava), que depois ficou famosa por casar com Ringo Star (Ex-Beatle). Destaque também para as atrizes que fizeram o papel de Money Penny, aquela secretária de "M" que é apaixonada por James Bond, e também para a agente secreta Good Night, que auxiliou James Bond em 007 contra O Homem com a Pistola de Ouro.

Como se sabe, James Bond é um agente que tem licença para matar, característica que não possuia quando foi rodado a primeira versão de Casino Royale, no idos de 1967 (Filme não Oficial). Isso significa dizer que no cumprimento do dever ele pode atirar para matar, prerrogativa que ele abdicou no filme 007 Licença Para Matar (1989), estrelado pelo Galês Timothy Dalton, para vingar a quase morte do agente e seu grande amigo Felix Leiter.

Aliás, houveram dois filmes de James Bond, considerados não oficiais, que foram: Casino Royale (1967) e 007 Nunca Mais Outra Vez (1983), pois não foram produzidos por Albert Brocoli e/ou seus sucessores, detentores do direito da marca 007. Este último se deu em virtude de dois fatores: primeiro pelo fato do roteiro original não ter sido escrito por Ian Fleming, escritor e criador do personagem, e também à época haverem sido constatadas diversas reclamações quanto às atuações de Roger Moore, que segundo os fãs havia se distanciado dos propósitos do agente (que propósitos??), sendo que para o papel chamaram novamente o então sexagenário Sean Connery.

Aqui abrimos parentese para uma curiosidade. Casino Royale foi a primeira história escrita por Ian Fleming, mas na versão cinematográfica a primeira versão foi de 007 contra o Satânico Dr. No. No entanto, a segunda versão de Casino Royale (2007), estrelada pelo inglês Daniel Craig, foi considerada oficial por ter sido escrita por Ian Fleming, então os detentores da marca acharam necessário produzir o filme oficialmente. Tudo bobagem.

Recentemente a MGM em parceria com a United Artists, lançou no Brasil um pack com os 21 filmes oficiais da Série 007, todos remasterizados em digital, ficou fantástico, o som ficou fenomenal, dando um realce esplendido à trilha sonora, sempre primorosa.

Achando em sua locadora, recomendo. Mas fique tranquilo, James Bond Will Return, ou seja, ele sempre retorna.



Escrito por Sanderson às 22h04
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A Bolivia, o gás e o PT

Eu não acreditei quando vi nas manchetes dos jornais que a Petrobrás vai voltar a investir na Bolívia, depois de tudo aquilo que o Presidente Evo Morales fez. Aliás, esse Evo Morales é um fantoche na mão de todo mundo né.

Lembre-se que a Petrobrás foi comprada pelo governo Boliviano a preço de banana, pois na cabeça dele nós éramos os espoliadores que por séculos roubaram os índios cocaleiros bolivianos, sob o incentivo do imperialismo americano - palavras do Evo.

No entanto, a Bolivia não consegue vender o gás que produz e está fazendo sabão com a produção, já que nem para os argentinos eles conseguem vender, pois o gasoduto que vai para a Argentina passa pelo Brasil e a torneirinha está fechada, sendo liberada em doses omeopaticas, já que a Bolivia vem cobrando um preço exorbitante pelo metro cúbico do gás.

Lula e a Petrobrás já anunciaram que vão voltar a investir na Bolivia. Aí muito gente pergunta porque?? ao invés disso porque esse dinheiro não é investido na prospecção de bolsas de gás na plataforma de Campos ou de Santos??

Eu lhes digo quem é o mentor disso tudo, se chama: MARCO AURÉLIO GARCIA, assessor direto de Lula para assuntos internacionais, um "aspone", como a maioria da campanheirada que está empoleirada no Palácio do Planalto. Sim, esse Marco Aurelio Garcia é aquele que está envolvido até o pescoço naquele caso do "Dossiê contra o PSDB" na campanha presidencial pra 2006, que no final das contas não deu em nada e cada um foi cuidar da sua vida, mas com seu carguinho no governo federal.

Esse Marco Aurélio é um leninista, trotskista e outros "istas", mais um "viúvo do comunismo" que existe por aí, e foi ele que promoveu e fez de tudo para a aproximação de Hugo Chaves com Lula, inclusive introduzindo-o no Mercosul e ainda pediu por favor pra não fazerem nada com Evo Morales, quando ele pintou e bordou no caso da expulsão da Petrobrás da Bolivia.

Agora que a Bolivia tá morta a pau e precisam do dinheiro brasileiro, esse Marco Aurélio armou todo o esquema para o Brasil socorrer os vizinhos. Os Bolivianos estão achando que nós não temos amor próprio. Enfim...

Pessoal, me envergonho de dizer que esse cara é brasileiro.



Escrito por Sanderson às 17h58
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Os Gritos do Silêncio

Uma excelente dica é assistir um filme chamado Os Gritos do Silêncio. É um filme antigo, mas que conta uma história sensacional.

Se passa no Camboja nos idos de 1972 (eu acho) quando Pol Pot e outros lideres do Khmer Vermelho, um partido/facção cambojana, deram um golpe de estado e tomaram o poder a força.

Um jornalista americano, correspondente do Washington Post é enviado para lá para cobrir os conflitos iminentes, mas como não sabia o idioma cambojano, então foi-lhes designado um jornalista cambojano que falava fluentemente o ingles.

Surgiu uma grande amizade entre o jornalista e a familia do cambojano. Através do jornalista ele consegue enviar sua familia para os EUA.

Porém o conflito explode em Phnon Penn e vários civis contrários ao regime (identificado por um lenço xadrez em vermelho e branco quadriculado no pescoço) são exterminados nas ruas, enquanto outros procuram se abrigar em embaixadas da capital. O jornalista e seu amigo cambojano conseguem asilo na embaixada da França, porém podem ficar ali por pouco tempo. Por pressão diplomatica o jornalista é obrigado a embarcar de volta para os EUA e o cambojano deve ser entregue as autoridades do Khmer Vermelho.

Então ele pula um muro da embaixada e foge e o americano sem poder fazer nada volta para casa.

A partir daí, começa uma epopéia do jornalista cambojano e fugindo a pé pelo camboja e se escondendo visando chegar á fronteira do Laos e lá tentar uma forma de embarcar para os EUA e encontrar sua familia.

Ele leva meses atravessando campos de arroz, florestas e campos de trabalho forçado, e sempre escondendo-se, ficando sem comer por dias. As vezes escondia-se de dia e andava a noite toda para poder avançar com segurança.

Até que, finalmente consegue chegar na fronteira do Camboja com o Laos e avista um Acampamento da Cruz Vermelha. Bom, não vou contar o resto para não estragar o final para aqueles que queiram assistir, mas garanto que é emocionante, tenho certeza que você vai torcer por ele. Impressionante a realidade que o filme retrata.

Lembrei dessse filme, porque vi nos jornais noticias do regime ditatorial que Hugo Chaves está implementando na Venezuela, e acho importante abrirmos os olhos, porque de esquerdista ideológico esse Chaves não tem é nada. É um débil mental que quer se perpetuar no poder pra se beneficiar dele, que nada tem haver com aquela papagaiada de "Revolução Bolivariana". Reflitam sobre isso amigos, porque está acontecendo aqui ao nosso lado e pode contaminar vocês sabem quem.



Escrito por Sanderson às 17h26
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Onde foi que vocês enterraram nossos mortos?

Estava mexendo nas minhas coisas e acabei por achar um livro que li esses dias, se chama: ONDE FOI QUE VOCÊS ENTERRARAM NOSSOS MORTOS?, escrito por Aluízio Palmar. O autor foi membro da VPR – Vanguarda Popular Revolucionária, e atualmente vive em Foz do Iguaçu.

 

Esse livro é um relato da batalha incansável travada por Aluízio Palmar, desde 1979, quando voltou do exílio e da clandestinidade, para localizar os corpos do “Grupo do Onofre Pinto”, formado por cinco brasileiro e um argentino que faziam parte do grupo revolucionário e que transitava entre o Chile, Uruguai e Argentina.

 

No inverno de 74, Aluízio estava em Buenos Aires, para fazer contatos com os “companheiros”, para decidirem sobre quais ações iam tomar para reativar a VPR no Brasil, já que naquela época o grupo tinha sido violentamente reprimido pelos órgãos da repressão no país.

 

Estava num café quando se aproximou dele Alberi Vieira dos Santos, um ex-sargento do Exército que largou a farda para se juntar aos movimentos revolucionários, mas que após ser preso, foi cooptado pela repressão para trabalhar como informante infiltrado nos movimentos, principalmente no Chile, semelhante ao trabalho desenvolvido pelo Cabo Anselmo.

 

Alberi disse a Palmar que companheiros argentinos havia comprado um sitio no município de Santo Antonio do Sudoeste – PR, e estavam construindo um “aparelho”, para treinamento dos movimentos revolucionários visando reativar a VPR no Brasil a partir dali. Era uma cilada.

 

Palmar disse que ia pensar no assunto, no entanto desapareceu das vistas de Alberi, pois sentiu cheiro de armadilha, já que tinha fortes desconfianças que ele havia mudado de lado e agora era “cachorro” da repressão.

 

No entanto, Alberi conseguiu cooptar Onofre Pinto, aquele mesmo que foi libertado em troca da vida do Embaixador Norte Americano Charles Elbrick, seqüestrado em 1969 pela ALN e o MR-8, ação espetacular narrada por Fernando Gabeira no livro “O que é isso companheiro?”.

 

Onofre estava clandestino na Argentina, assim como todos os revolucionários que ali se encontravam e topou a proposta de Alberi, e arregimentou mais quatro brasileiros e um argentino para a empreitada.

 

Dois dias depois eles desapareceram e nunca mais foram vistos. Palmar era o único revolucionário que sabia do propósito de Alberi, mas até a Lei da Anistia, vivia clandestinamente na Argentina com sua família e não podia se manifestar, sob pena de ser “pego” pela repressão Argentina.

 

Depois de anos garimpando informações, já que Alberi havia sido assassinado no ano de 1981 em virtude uma rixa existente com um homem em Ubiratã – PR, Palmar localizou o motorista da Rural que conduziu os guerrilheiros mortos, já em solo brasileiro.

 

Ele contou que os revolucionários foram conduzidos até o Km 14 da Estrada do Colono, dentro do Parque Nacional do Iguaçu, e lá foram executados e enterrados numa vala comum. Ele não se recordava o local exato já que havia mudado muito pelo decurso do tempo, mas deu uma localização aproximada.

 

Com ajuda da Comissão de Mortos e Desaparecidos do Regime Militar, vinculado a Secretaria Especial de Direitos Humanos do Ministério da Justiça, trouxeram dois geólogos argentinos que com equipamentos dotados de uma espécie de sonar, vasculharam a área, mas não lograram êxito localizar o local da cova onde foram enterrados.

 

O tal motorista ainda informou que o único que não fora enterrado na vala comum aberta dentro da floresta fora Onofre Pinto, o qual teve seu cadáver jogado naquela época no recém criado Lago de Itaipu e hoje jaz seu corpo nos bilhões de metros cúbicos de água no fundo do enorme reservatório da Usina de Itaipu.

 

Esse livro é um relato emocionado de um homem que buscou a verdade com todas as suas forças e que se penitencia até hoje por não ter alertado os amigos que foram mortos pelos assassinos da repressão, mas, sobretudo conta à história de um período negro ocorrido no cone sul do continente americano, nos “Anos de Chumbo”, que ceifou tantas vidas sem nenhum objetivo concreto. Obra que vale a pena leitura.

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Escrito por Sanderson às 23h28
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Enquanto isso em Brasília...

Thomas Traumann da Revista Época comenta sobre o constrangimento na festa de poderosos em Brasília, através da reportagem de Rosa Costa do Estadão. Sem dúvida um diálogo muito engraçado.

O presidente do Democratas, Deputado Rodrigo Maia, foi aos ministros Walfrido dos Mares Guia e Nelson Jobim cobrar explicações sobre o assédio do governo aos senadores da oposição.

- Vocês precisam respeitar mais a oposição - disse Rodrigo. 
- Isso é futrica - rebateu Mares Guia.
Jobim interveio: -No site do seu partido, eu sou chamado de "canastrão da sucuri". E aí?.
- Eu não tenho responsabilidade pelo site - respondeu Rodrigo antes de deixar o local chutando a sombra.
Enquanto Rodrigo se afastava, Jobim devolveu: - Lá no Rio Grande se chama isso de um guri de merda.
Mares Guia completou: - É o professor de Deus.
A líder do governo no Congresso, Roseana Sarney, que acompanhou o bate-boca reclamou: - Isso vai sobrar para mim.
- Não voto o Orçamento, esquece o Orçamento - ainda gritou Rodrigo Maia.



Escrito por Sanderson às 14h34
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As Intenções de Al Gore

Já se encontra nas locadoras o DVD com o documentário UMA VERDADE INCONVENIENTE, aquele produzido pelo ex-vice-presidente dos EUA, Al Gore, tendo inclusive ganhado o Oscar de Melhor Documentário esse ano.

O documentário foi muito bem feito, mas o problema é que a verdade mesmo foi omitida, distorcida ou não contada. Uma boa opção é conferir um outro documentário produzido pela BBC de Londres (acho??), sob o título A GRANDE FARSA DO AQUECIMENTO GLOBAL. Tem duração de aproximadamente 1h30min.

Mas o que quero refletir é sobre as intenções do Sr. Al Gore em produzir esse documentário que tem corrido o mundo.

O fato dele ocultar dados precisos é proposital, pois ele tem intenções de conquistar a Presidência dos Estados Unidos, porém ele não quer entrar em disputas, quer chegar pelos braços do povo.

Al Gore quando estava na vice presidência de Bill Clinton, cuidava pessoalmente das questões ambientais de sua competência, pois já trabalhava com isso desde a faculdade, quando foi um academico na Universidade de Harvard. Portanto, para ele falar de questões relacionadas ao meio ambiente é como andar de bicicleta.

Jogado ao ostracismo após sua derrota (roubada) para George Walker Bush em 2000, Al Gore passou a trabalhar em silêncio o tema relacionado ao aquecimento global com firme propósito de criticar fortemente a administração Bush pela aceleração do aquecimento global. Ele sabe que alguns pontos trazidos por ele não são corretos, porém se assim o fizesse não estaria cumprindo ao seu propósito.

Ao que tudo indica, seu plano tem dado certo, pois acabou de levar o Prêmio Nobel da Paz (se bem que a escolha desse prêmio é uma verdadeira marmelada), e as pesquisas prévias realizadas para sucessão presidencial americana, apontam ele na liderança, embora continue afirmando como um mantra que não é candidato a sucessão presidencial.



Escrito por Sanderson às 14h03
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Barbaridade

Dizem que as composições de alguns letristas expressam um pouco de sua vida e personalidade. Existe um compositor chamado Manuel, que compôs a celebre musica, cantada em todos os cantos do Brasil, a "Boate Azul".

Ele mesmo compôs outra música chamada SOM DE CRISTAL (veja só), que tem uma letra contando uma história muito doida. Evidentemente história de ficção, mas vale a pena dar uma olhada.

Pra você que não é "chegado" no gênero, veja o que rola nas paradas sertanejas.

SOM DE CRISTAL
(Joaquim & Manuel)


A casa noturna se mantem a noite em clima de festa
De longe se ouve varios instumentos de cordas e metais
Boemios bebendo cantando e dancando ao som da orquestra
Um som estridente que lhe deu o nome de som de cristal
A casa noturna boate falada lugar de ma fama
Com as portas abertas durante a noite entra que quiser
Porem nesta noite sem que eu esperasse entrou uma dama
Fiquei abismado pq se tratava da minha mulher
Ela se cansou de dormir sozinha esperando por mim
E nesta noite resolveu dar fim na sua longa e maldita espera
Ela não quis mais levar a vida de mulher honrada
Se na verdade não andiantou nada ser mulher direita conforme ela era
Ela deciciu abandonar o papel de esposa para viver entre as mariposas
Que fazem ponto naquele local
A minha vida muito mais errante agora continua
Tranformei a esposa em mulher da rua
A mais nova dama do som de cristal

Escrito por Sanderson às 23h46
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Rocky, Um Lutador

Dia desse me prestei a pachorra de assistir a trilogia ROCKY, num box com 6 DVD’s, que encontrei na locadora.

Acho que os filmes do Rocky são daqueles que a gente vive falando mal, mas sempre que pode assiste algum deles nesses milhões de canais imprestáveis da vida.

O Silvester Stallone como ator é medíocre todo mundo sabe disso, mas assistindo os extras do primeiro filme da trilogia “Rocky, Um Lutador”, você pode ter uma idéia como tudo isso ocorreu. E é interessante, acreditem.

Existe uma discussão que já dura anos, inclusive no âmbito do Poder Judiciário Americano, em que Chuck Wepner, se considera o inspirador da série Rocky, e por isso exige uma indenização milionária calculada sobre os rendimentos percebidos por Silvester Stallone em face do suposto uso indevido de sua imagem.

Explico. Chuck Wepner, alega que Silvester Stallone quando escreveu o roteiro de Rocky se baseou em uma luta disputada entre ele e Mohamad Ali, em 1975, onde na oportunidade, evidentemente perdeu para o imbatível Ali por pontos, mas entrou para história como o primeiro boxeador a derrubar no início do combate o até então invencível Ali.

Silvester Stallone conta no documentário que escreveu o roteiro em apenas três dias e o entregou por indicação de um amigo aos produtores hollywoodianos da Tri Star International que acharam a proposta bem interessante. Nesse tempo ele vivia numa “pendura danada”, numa minúscula kitinete no subúrbio de Los Angeles, juntamente com sua mulher e o recém nascido Sage Stallone (Rocky IV e V), seu primeiro filho, tentando demonstrar seus dotes de ator, roteirista, produtor, ou seja, o que aparecesse pela frente.

Nesse roteiro, Rocky é um jovem ítalo-americano que cresceu no subúrbio da Philadelphia, vivendo como punguista ou trabalhando como “cobrador” para a bandidagem de italianos que controla a região das docas. Treina na academia do velho treinador e ex-lutador Mickey, e ganha um dinheiro extra em lutas acordadas previamente no submundo do subúrbio da Philadelphia.

Um lutador famoso, conhecido como Apollo Creed, “O Doutrinador”, vive num dilema de não ser reconhecido como um bom lutador, em vista de seus empresários contratarem apenas lutas fáceis. Ele então num catálogo de lutadores (isso mesmo), resolve escolher um que tenha um nome de impacto e demonstre certa força, e assim possa alavancar sua fama e demonstrar força e técnica como lutador.

Ele escolhe e desafia “Rocky Balboa – O Garanhão Italiano”, até então um ilustre desconhecido da mídia esportiva. Essa película aborda vários dilemas humanos, mas luta de boxe que seria o tema central é o que menos encontramos. Esse filme ganhou o Oscar de Melhor Filme em 1976, principalmente por seu nome, muito bem sacado “Um Lutador”.

Isto porque, Rocky além de um boxeador, é sobretudo um lutador pela vida, e é essencialmente isso que o filme aborda, um cara que diariamente “mata um leão” para sobreviver, mas que acima de tudo contenta-se com uma vida simples que leva, pois foi assim que cresceu órfão de pais e que aprendeu da forma mais dura na escola das ruas.

Não tenho certeza se Stallone se baseou ou não na vida de Chuck Wepner para escrever Rocky, mas o fato é que analisando friamente a proposta do filme, embora tendo um roteiro água com açúcar, veremos que ele não se baseia essencialmente no cara que fica famoso como lutador, por ter-se mantido em pé os 15 Rounds da luta contra a máquina Apollo Creed, mas principalmente em mostrar um cara que tenta vencer na vida brigando contra as adversidades.

Vale a pena conferir.

Escrito por Sanderson às 23h38
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Tem gente que desenvolve talento para roubar, tem gente que desenvolve talento para enganar, como os políticos em geral. Porém, tem gente que parece que veio ao mundo pra deixá-lo mais bonito, mais belo. Hoje de manhã faleceu o seu Zé, conhecido por todos como Nhô Guepe, pessoa de avançada idade, mas gente da melhor qualidade, avô do meu amigo Ralph. Com os problemas de saúde típicos da idade, ele desenvolveu um raro dom que foi o de construir violinos e por vezes até tocava algumas belas canções com as mãos meio trêmulas. E o mais interessante que ele era auto-didata. Desenvolveu a arte da marcenaria sem nunca ter frequentado nenhum curso, nem foi ensinado por ninguem, somente pela curiosidade, capacidade e força de vontade que poucas pessoas possuem. Dizem que violinos construídos por ele, já foram usados nas apresentações da Orquestra Sinfônica do Teatro Guaíra em Curitiba (acho que é esse o nome). A curiosidade fez dele também um técnico em eletrônica, e os vizinhos, parentes e amigos levavam TVs, rádios, aparelhos de som, telefones pra ele consertar, e acreditem, o serviço ficava perfeito. Era um homem bom de prosa e contava boas histórias dos tempos em que era patrão de serraria e comandava muitos funcionários em regiões de florestas inóspitas em que a linguagem que se falava era a da bala de um revolver ou espingarda, tendo ele desenvolvido a arte do diálogo. Infelizmente o câncer levou ele, mas com certeza agora estará no céu também proporcionando momentos incríveis a quem estiver por lá!!



Escrito por Sanderson às 11h31
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